9 de jan de 2014

Traição


Sentir ciúmes é normal. É saudável, completamente natural. Vai dizer que não sente cóceguinhas no ego quando seu paquera ou namorado fica enciumado? Você gosta, faz parte do gostar, do querer cuidar, do desejo de ter para si. Mas ciúmes tem limites? Eu acho que sim.
Vamos partir do principio de que se você está com alguém é por que gosta dela. E mais, por que confia nela. Se não confiasse, não estaria entregando todos os pedacinhos colados do seu coração, concorda? Esse alguém te conquistou, e conquistou a sua confiança. E assim, acabou tendo poder demais nas mãos. Quando a gente gosta muito de alguém (e diz que gosta pra esse alguém), é natural se sentir vulnerável. Mas é uma troca, não é? Você está dando um pedacinho seu pra alguém que parece saber cuidar muito bem dele.
Mas aí surge o medo de perder tudo isso. De alguém, mais legal que você, acabar encantando o “seu alguém”. E o que você faz para que isso não aconteça? Trancar ele num quarto branco pra impedí-lo de conhecer pessoas novas? Ou prefere monitorar todas suas amizades por 24 horas? Você está fazendo isso errado.
Quando alguém quer trair, arranja um jeito. Não tem essa. Você pode colocar um radar ou implantar um chip, mas quem quer mesmo, vai lá e faz. Tenho amigos que deixavam suas namoradas em casa e saíam pra pegação escondido, ou combinavam de encontrar “a outra” no playground de madrugada. Algumas namoradas descobriram, outras não desconfiam até hoje.
Eu não quero te assustar. Longe de mim. Mas eu quero te mostrar a realidade: cercar seu príncipe de arame farpado não vai prendê-lo se ele quiser sair. Por que, heim? Por que você não pode controlar tudo que acontece em volta da sua vida. Não é você quem deve impedí-lo de trair. Não é um fator externo que vai blindar seu relacionamento, não é sua vigilância extensiva. Tem que partir dele a vontade de não querer outro alguém.
Até por que a consumação da traição em si – o beijo, a saída, o flerte, as mensagens trocadas – são consequência do desejo de trair, que pra mim, já é o próprio trair. Do que adianta ter alguém que nunca saiu com outra pessoa, mas que não para de pensar em outro alguém quando está ao seu lado?
O desejo por outras pessoas é inevitável. O frisson, a atração. Você também sente, sentiu ou sentirá isso alguma vez. Mas não é errado, é completamente normal. A atração sexual existe e não podemos passar por cima dela, e tratá-la como um elefante branco. Ela existe sim, mas algo faz você preferir estar com o “seu alguém”. Por alguma razão, ele é mais especial.
Então, o que fazer para que seu namorado/paquera/peguete não queira mais ninguém? Conquiste-o pelo o que você é, mas dê a ele liberdade. Liberdade para sair, liberdade para conhecer, liberdade para te escolher todos os dias mais uma vez. Pare de enxergar maldade em tudo quanto é lugar, menina! Mergulhe de cabeça nos seus relacionamentos, e demonstre tudo aquilo que você sente. Passe segurança, alegria, prazer em tê-lo por perto. O seu medo de perdê-lo a todo instante irá contagiá-lo uma hora ou outra.
O ciúmes doentio impregna o relacionamento. Ao invés de proibir seu namorado de sair com a melhor amiga dele, tente conhecê-la melhor. Ela pode ser uma pessoa maravilhosa, e isso com certeza vai contribuir pra fortalecer seu relacionamento. Ela pode ser sua principal aliada na hora de esfriar a cabeça de quem você gosta. Mas, se ao contrário, você tende a sabotar as amizades importantes do seu namorado por medo de ser trocada, os efeitos podem ser péssimos. De tanto ver coisa onde não tem, você pode criar malícia onde não existia.
Dalai Lama disse uma vez: “dê a quem você ama: asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar”. Relacionamento é isso, oferecer tudo o que temos pra aquele que consegue despertar na gente o nosso melhor. Não dá pra cobrar nada de volta, não é um contrato. Se alguém quer cair fora, não o prenda, não rasteje, não implore. Você não merece migalhas, mas um amor por inteiro.“A gente aceita o amor que acha que merece.”

                                                                                                                                              (giferrarezi)
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